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Marcha da Liberdade: Memória histórica, tensão institucional e atenção à região definem o momento político em STP

No passado dia 3 de fevereiro, São Tomé e Príncipe voltou a viver um dos momentos mais simbólicos da sua história contemporânea com a realização da tradicional Marcha da Liberdade, em homenagem aos Mártires da Liberdade.



Segundo o Primeiro Ministro Américo Ramos o evento, que reuniu jovens, autoridades e sobreviventes do massacre histórico e serviu não apenas como um ato de memória e homenagem, mas também como palco para reflexões profundas sobre a atualidade política nacional e regional.


Uma marcha pela memória e pela consciência nacional


Maia de 10.000 cidadãos participaram na Marcha da Liberdade, realizada anualmente, tem como principal objetivo honrar a memória daqueles que deram a vida pela liberdade do país. Este ano, a iniciativa contou com uma forte participação da juventude, acompanhada por alguns dos poucos sobreviventes ainda vivos do massacre de 1953 3m Batepá.


Em declarações à imprensa, o Primeiro-Ministro Américo Ramos sublinhou a importância simbólica e pedagógica do evento, destacando o seu papel na transmissão de valores históricos às novas gerações. Segundo afirmou, a marcha representa uma oportunidade de reforçar a consciência coletiva sobre o sacrifício feito em nome da liberdade e a necessidade de preservar a unidade nacional.


“Essas manifestações anuais têm um grande significado e tentamos passar à juventude que é necessário manter-nos unidos pela luta da nossa liberdade”, declarou.  Américo Ramos Primeiro- Ministro e Chefe do Governo STP





O Chefe do Governo acrescentou ainda que os sobreviventes do massacre continuam a merecer atenção especial do Estado, através do Ministério do Trabalho e Solidariedade, que, em parceria com outras instituições, garante apoio social e acompanhamento sempre que necessário.


Tumultos no Parlamento e condenação da violência


Para além do simbolismo histórico da data, o dia 3 de fevereiro ficou igualmente marcado por acontecimentos políticos de grande tensão. Questionado sobre os tumultos registados na sessão plenária da Assembleia Nacional realizada no dia anterior fora do recinto habitual da assembleia a sessão plenária foi convocada por grupos de política como MLSTP, BASTA e alguns deputados do partido ADI que apoiam o Governo liderado por Américo Ramos, o Primeiro-Ministro não poupou críticas às cenas de violência.


O governante classificou os episódios como “lamentáveis”, referindo-se em particular à agressão física sofrida por um deputado no interior do Parlamento — um facto inédito e preocupante para a democracia santomense.

“Assistimos a cenas lamentáveis, com agressão física a um deputado. O governo tomará todas as medidas necessárias para proteger qualquer cidadão, para que isso não volte a acontecer”, afirmou. Américo Ramos


Na sequência dos acontecimentos, a sessão plenária resultou na suspensão da Presidente da Assembleia Nacional Celmira Sacramento e na revogação de uma lei interpretativa. E na exoneração de cinco Juízes do Tribunal Constitucional  o Primeiro-Ministro esclareceu que o Governo respeita essas decisões, considerando-as atos parlamentares previstos no regimento interno da Assembleia, reforçando a separação de poderes e o funcionamento das instituições democráticas.


Tribunal Constitucional e respeito pela legalidade


Ainda no âmbito da crise institucional, o Primeiro-Ministro comentou a recente decisão do Tribunal Constitucional que declarou inconstitucional a realização da referida sessão plenária. Para o Chefe do Governo, o episódio reforça a necessidade de estrito cumprimento da lei e de respeito mútuo entre os órgãos de soberania.


Segundo afirmou, cada instituição deve atuar dentro das suas competências, evitando conflitos que fragilizem o Estado de Direito e a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.


Olhar atento à crise na Guiné-Bissau


No plano regional, o Primeiro-Ministro Américo Ramos foi também questionado sobre a situação política na Guiné-Bissau, na sequência da indicação do ex-Primeiro-Ministro Patrício Trovoada para mediar a crise naquele país.


Embora tenha sublinhado que se trata de um assunto de natureza internacional, o governante garantiu que São Tomé e Príncipe acompanha a evolução da situação com atenção e preocupação, manifestando o desejo de que se encontre rapidamente uma solução pacífica para o conflito, em prol da estabilidade da sub-região.


Entre a memória e os desafios do presente


O Dia 3 de Fevereiro reafirma-se, assim, como uma data de profunda reflexão nacional. Entre a homenagem aos que lutaram pela liberdade, os desafios da convivência democrática e as tensões políticas internas, o país é chamado a reforçar os valores da paz, do diálogo e do respeito pelas instituições.


Ao mesmo tempo, o contexto regional lembra que a estabilidade política continua a ser um bem frágil, exigindo vigilância, responsabilidade e compromisso com os princípios democráticos — tanto dentro como fora das fronteiras nacionais.


 

Recorde-se que o chefe de Estado Carlos Vila Nova Com a publicação do DECRETO PRESIDENCIAL N.° 02/2026, o calendário eleitoral passa a estar formalmente definido, permitindo às instituições eleitorais, partidos políticos, sociedade civil e parceiros internacionais iniciarem os preparativos técnicos, logísticos e políticos. A fixação das datas marca oficialmente o arranque do ciclo eleitoral de 2026, um período decisivo para a democracia São-tomense. O ano de 2026 será particularmente intenso do ponto de vista político, com os cidadãos chamados às urnas em dois momentos distintos para escolher os representantes de São Tomé e Príncipe.


Por: Varela Tavares

Imagem: Siclay Abril

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