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As celebrações do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 8 de março, serviram de palco para um forte apelo à valorização e ao fortalecimento da participação feminina na vida política e social de São Tomé e Príncipe. Durante o encontro, várias intervenções destacaram a necessidade de preparar as mulheres para assumirem posições de liderança e influenciarem as decisões que moldam o futuro do país.


“Esta data é dedicada a todas nós mulheres em São Tomé e no mundo inteiro. A escolha deste tema recai sobre as nossas aspirações para que, nos tempos que se avizinham, possamos assumir novas posições em todas as direções e sentidos, com maior engajamento político e capacidade de responder aos desafios da governação.” Hilária Pinto  / Oradora da Palestra



A reflexão partiu da constatação de que, apesar de as mulheres representarem a maioria da população, ainda ocupam poucos espaços de decisão, enfrentando obstáculos sociais e culturais que limitam o seu acesso a cargos de liderança.


“Apesar de sermos a maioria, lamentavelmente ainda estamos aquém de tomar decisões e disputar muitos lugares com os homens, o que nos coloca em desvantagem quando surge a necessidade de ocupar determinados cargos ou pastas governativas.” Hilária Pinto  / Oradora da Palestra



As intervenções destacaram também que as exigências contemporâneas de governação e as orientações das organizações internacionais apontam para a paridade entre homens e mulheres. No entanto, persistem limitações estruturais e estigmas sociais que afastam muitas mulheres dos espaços de poder.


“Sabemos que uma das exigências das políticas atuais e das Nações Unidas é a paridade, mas muitas vezes, pelas nossas limitações e pelos estigmas sociais, acabamos por ficar de fora ou em papéis secundários.”

Para ultrapassar estas barreiras, a educação foi apontada como elemento central no processo de emancipação feminina e de preparação para a participação política.



“É preciso fortalecer a educação a vários níveis, sobretudo a educação sociopolítica, como alicerce para conduzirmos as mulheres a cargos políticos na Nação.”  Hilária Pinto  / Oradora da Palestra




Durante o encontro, foi também sublinhado que a educação deve assumir diferentes formas — formal, informal e popular — permitindo que as mulheres adquiram conhecimentos, desenvolvam consciência crítica e participem ativamente na transformação social.


“Ninguém poderá participar ativamente na história, na sociedade ou na transformação da realidade se não for auxiliado a tomar consciência da sua própria realidade para transformá-la.”  Maria de Cristo  / Oradora da Palestra



As participantes reforçaram ainda que a política deve ser entendida como um instrumento de construção coletiva e de melhoria das condições de vida da sociedade.


“A política não é algo distante de nós. É algo que todos construímos para trazer o melhor para o nosso país e para o nosso bem-estar.”



Num ambiente marcado por mensagens de solidariedade e reconhecimento da luta histórica das mulheres, foi recordada a origem do Dia Internacional da Mulher, associado aos movimentos operários do início do século XX e às reivindicações por direitos laborais e participação política.


“O Dia Internacional das Mulheres surgiu no início do século XX, impulsionado por movimentos operários e socialistas que lutavam por direitos trabalhistas e pelo voto feminino.”  Janilca Fernandes  / Vice-presidente do Movimento Basta



No final do encontro, destacou-se a importância da união entre as mulheres como força fundamental para alcançar novas conquistas sociais e políticas.


“A união é a nossa maior força. Com a união superamos divisões, fortalecemos os nossos direitos e transformamos a nossa esperança em mudanças concretas.” Janilca Fernandes  / Vice-presidente do Movimento Basta



O evento terminou com uma mensagem de valorização da identidade feminina e do papel da mulher na sociedade.


“Gosto de ser mulher. Quero andar de cabeça erguida, com sensação de liberdade e com a certeza de que as minhas lutas têm sentido.”   Maria de Cristo  / Oradora da Palestra



A celebração reafirmou o compromisso das mulheres santomenses em continuar a lutar por igualdade de oportunidades, maior representação política e reconhecimento do seu contributo para o desenvolvimento do país.



POR: Varela Tavares

Imagem: TVS

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