O Partido da Convergência Democrática (PCD) realizou esta semana uma conferência de imprensa para reagir aos acontecimentos ocorridos na Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, que envolveram deputados da Ação Democrática Independente (ADI).

Durante a sua intervenção, o porta-voz do partido classificou os episódios como
um “desfile degradante, triste e vergonhoso”, sublinhando que os deputados são
eleitos e remunerados com recursos provenientes dos contribuintes. Segundo o
PCD, os confrontos revelam uma disputa interna pelo “bolo da nação”,
demonstrando, na sua perspectiva, falta de preocupação com os reais problemas da
população.
“Um partido com maioria absoluta que revela este tipo de comportamento
representa uma grande inquietação para o país”, afirmou João Bomfim, alertando
para o risco de instabilidade social e perturbação da ordem pública.
O PCD apelou à população para que se mantenha atenta, mas serena, defendendo
que eventuais tensões políticas não devem comprometer a paz social nem o
desenvolvimento económico.
Tribunal Constitucional e apelo à imparcialidade
Na mesma ocasião, o partido saudou a eleição dos novos juízes conselheiros do
Tribunal Constitucional, embora tenha declarado não ter sido consultado no
processo. O PCD defendeu que o Tribunal deve manter-se independente e
imparcial, servindo o Estado e não interesses partidários.
“Não haverá democracia pluralista sem partidos políticos respeitados”,
sublinhou o responsável.
Solidariedade à República de Cuba
Outro ponto central da conferência foi a manifestação de solidariedade à
República de Cuba, que atravessa dificuldades económicas. O PCD recordou o
apoio histórico prestado por Cuba a São Tomé e Príncipe, nomeadamente na
formação de quadros nacionais, envio de médicos e professores.

O partido considerou que o Estado são-tomense deveria expressar formalmente
essa solidariedade, defendendo que os princípios e a gratidão histórica devem
prevalecer sobre eventuais condicionamentos políticos.
Caso do cidadão sueco
Questionado sobre a detenção de um cidadão sueco alvo de mandado de captura internacional emitido pelas autoridades da Suécia e difundido pela Interpol que anteriormente exercia a função de conselheiro especial da Presidência da República de STP, o PCD afirmou que este episodio não deveria acontecer mas, mas reconheceu a decisão da presidente de exonerar o mesmo das funções de conselheiro como “firme e assertiva”
a decisão de exoneração tomada após o conhecimento da situação judicial do
referido cidadão.
Segundo o partido, quando ocorreu a detenção, o indivíduo já não fazia parte
dos quadros da instituição.
“O importante é que, ao tomar conhecimento da situação, a Presidência da
República procedeu à exoneração. Seria inquietante se isso não tivesse
acontecido”, concluiu João Bomfim Presidente do PCD.

O PCD encerrou a conferência reiterando a necessidade de estabilidade política
como condição essencial para o crescimento económico e o desenvolvimento
sustentável do país.
Por: Varela Tavares
Imagem: GLEBA TV
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