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Primeiro-Ministro esclarece atrasos na chegada de geradores e aponta problemas estruturais na EMAE

O Governo reafirma que a responsabilidade direta pela aquisição dos novos geradores não é do Executivo, mas sim da Empresa de Água e Eletricidade, EMAE, que foi orientada a proceder à compra no âmbito da transição energética.


“O governo orientou a EMAE, a EMAE fez a adjudicação a uma empresa, e a empresa ficou encarregada de trazer os geradores antes do Natal. Mas não fez, não por culpa total da empresa, mas por questões logísticas.” Américo Ramos Primeiro-Ministro


Segundo o Primeiro-Ministro, o atraso deveu-se a dificuldades no transporte internacional, envolvendo atrasos em fronteiras africanas e a escassez de navios com ligação regular a São Tomé e Príncipe.


“Estamos numa ilha. Não há frequência constante de barcos entre esse ponto e São Tomé e Príncipe. O governo entrou para tentar acelerar, mas o atraso aconteceu na fronteira entre Afgets e Botswana, que é uma fronteira complicada. Nós temos a expectativa que, antes do final do mês, a gente consiga ter os geradores aqui.” Américo Ramos Primeiro-Ministro


Questionado sobre as declarações do presidente do sindicato da EMAE, o Primeiro-Ministro mostrou-se surpreendido e criticou a postura adotada.


“Eu não entendo essa intervenção do presidente do sindicato. Eu fico estupefato quando vejo esse tipo de atitude. Se ele tem alguma dúvida, pergunte à direção da EMAE, porque não é o governo que fez diretamente a aquisição. A EMAE tem problemas graves: excesso de trabalhadores, desvio de combustível, sabotagem, desmando dentro da EMAE.”  Américo Ramos 


Sobre a capacidade de produção, o Primeiro-Ministro afirmou que houve esforços técnicos para manter os geradores em funcionamento, mesmo após a saída da empresa Tesla do sistema energético.


“Quando houve a saída da Tesla do sistema, estávamos em 12 megas. Há momentos que vai até 10, 11, 12, 13. Isso é trabalho da equipa técnica da EMAE.”  Américo Ramos 

Relativamente ao combustível, o chefe do Governo revelou dados preocupantes.


“O Estado fornece combustível à EMAE. Oitenta por cento do combustível importado é entregue à EMAE e a EMAE consome, cobra aos utentes e não há retorno.”  Américo Ramos 


Ainda assim, o Governo decidiu aliviar o impacto na população, reduzindo temporariamente a tarifa.


“Decidimos baixar em 30% a taxa de energia nos meses de dezembro e janeiro. Foi uma decisão lógica e honesta, sem prejudicar totalmente a EMAE.”  Américo Ramos 

Quanto ao problema da água, o Primeiro-Ministro apontou as mudanças climáticas e a degradação das infraestruturas como causas principais.


“Está a chover menos. As captações subterrâneas estão sem água. As redes de distribuição datam de quase 50 anos e há grandes perdas.”  Américo Ramos 


O governante sublinhou que a solução exige investimentos elevados.


“Há um projeto de requalificação do sistema de água estimado em cerca de 60 milhões. Não é uma questão que se resolva de um dia para o outro. Se nós queremos que o país melhore, tem que haver participação de todos. Governo, dirigentes, trabalhadores, jornalistas e população.”  Américo Ramos Primeiro-Ministro

 

O Governo garante que os novos geradores deverão chegar ao país ainda antes do final deste mês, permitindo reforçar a produção de energia e reduzir os cortes no fornecimento elétrico. Enquanto isso, o Primeiro-Ministro apela ao diálogo, à responsabilidade coletiva e à colaboração de todos os intervenientes para enfrentar os problemas estruturais da EMAE e encontrar soluções sustentáveis para a energia e a água em São Tomé e Príncipe.



Jornalista: Ednel Abreu

Imagem: TVS

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