São Tomé e Príncipe assinalou, esta Domingo, 4 de janeiro, o 431º aniversário da insurreição de Amador Vieira, líder da maior revolta de escravos do século XVI no arquipélago. A cerimónia decorreu na emblemática Praça da Cultura e reuniu membros do Governo, autoridades locais, estudantes e convidados.

O ato comemorativo teve início com um momento cultural protagonizado por uma aluna do Liceu Nacional Marinha da Graça, que declamou um poema inspirado na resistência e na memória histórica.
“De novo as nuvens cobrirão o pico, e os homens marcharão
sobre a planície.
De novo as reinstituídas subirão as barreiras para lavar os
caminhos,
as folhas mortas e os passos perdidos.” ALUNA (POEMA)

Na sua intervenção, a Ministra da Educação, Cultura, Ciência
e Ensino Superior destacou a importância histórica e simbólica do Rei Amador,
sublinhando o seu papel central na resistência africana no espaço atlântico.
“Leão Amador foi o precursor de uma das maiores e mais
significativas revoltas de escravos, não apenas em São Tomé e Príncipe, mas em
todo o Atlântico. O seu legado ultrapassa controvérsias académicas e representa
a luta contra a opressão, a afirmação da dignidade humana e aquilo que hoje
chamamos de cidadania.” Isabel Abreu Ministra da Educação
A governante defendeu ainda o reforço da investigação
histórica, o apoio aos arquivos nacionais e a produção de conhecimento com base
em fontes primárias, para que a história do país seja cada vez mais escrita por São-tomenses.
Já o Primeiro-Ministro considerou a data como um momento de
profunda reflexão sobre os valores que sustentam a identidade nacional e a
construção do Estado.
“Invocar Amador Vieira é revisitar um momento decisivo da
nossa história, em que a dignidade humana se ergueu contra a opressão. A
revolta de 1595 foi uma afirmação política e moral do direito à liberdade, à
justiça e à autodeterminação.” Américo Ramos Primeiro Ministro STP
O Chefe do Governo reafirmou o compromisso do Executivo com a
valorização da memória histórica, sublinhando que investir na história é
investir na coesão nacional e na formação das futuras gerações.
“A memória de Amador Vieira
deve inspirar o nosso presente e orientar o nosso futuro. O seu legado
desafia-nos a construir um São Tomé e Príncipe mais justo, solidário e
inclusivo.” Américo Ramos 
Mais de quatro séculos depois, o Rei Amador continua vivo na
memória coletiva como símbolo de resistência, coragem e liberdade. Uma herança
histórica que permanece como pilar da identidade e da consciência nacional
santomense.
Por: Varela Tavares
Imagem: TVS
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