Nesta semana, o Brasil celebra os 60 anos do Programa de Estudantes Correntes, conhecido como PEC, uma das iniciativas de maior longevidade do país voltadas à cooperação educacional internacional.

O programa oferece a estudantes estrangeiros a oportunidade de cursar
gratuitamente o Ensino Superior em instituições acadêmicas de todo o território
brasileiro. Desde a sua criação, milhares de jovens de 55 países já foram
beneficiados pelo PEC. Apenas a seleção para 2026 registrou mais de 3.200
candidatos.

Concebido pelo Ministério das Relações Exteriores em 1964, o PEC se
expandiu ao longo das décadas, incorporando a pós-graduação (PEC-G e PEC-PG) e
o Ensino de Português como Língua Estrangeira (PEC-PLE), em conjunto com o
Ministério da Educação, a CAPES e o CNPq.

O programa é considerado um exemplo clássico de cooperação sul-sul, promovendo o intercâmbio entre países com níveis de desenvolvimento semelhantes. Segundo especialistas, experiências compartilhadas em países com desafios semelhantes podem ser adaptadas para gerar soluções eficientes.
“Estudantes de outros países em nível de desenvolvimento tiveram e têm a oportunidade de estudar no Brasil, vivenciar desafios semelhantes aos seus países e, após retornarem, ocupar cargos técnicos e administrativos. Alguns deles tornaram-se ministros, primeiros."

No caso dos países africanos de língua portuguesa, os PALOPs, os cursos
no Brasil oferecem a vantagem de serem ministrados na língua compartilhada,
facilitando a adaptação acadêmica e social. Dados recentes indicam que, entre
2002 e 2026, cerca de 499 são-tomenses participaram do programa, número que
ultrapassa os 500 considerando os períodos anteriores.
“Lançamos o desafio de calcular exatamente quantos são-tomenses se beneficiaram do programa desde sua fundação há 60 anos”

Para muitos diplomatas, o PEC também tem um valor simbólico. Um dos
representantes presentes destacou que seu primeiro contato com o programa
marcou o início de sua carreira diplomática, e hoje ele preside a cerimônia de
comemoração dos 60 anos, mostrando o impacto duradouro da iniciativa na vida
profissional e acadêmica de milhares de estudantes.
O Programa de Estudantes Correntes do Brasil segue como referência de diplomacia educacional e cooperação internacional, promovendo formação acadêmica de qualidade e fortalecendo os laços entre o Brasil e diversas nações do mundo, especialmente os países africanos de língua portuguesa.
Jornalista: Ednel Abreu
Imagem: TVS
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