
A cerimónia, realizada na Casa da Diplomacia, reuniu membros do Governo, corpo diplomático e parceiros internacionais para assinalar o 22 de abril — data que celebra a criação da Associação dos Diplomatas Santomenses.
Durante a sua intervenção, o Chefe do Governo destacou o papel histórico da diplomacia na construção do Estado santomense e reforçou a necessidade de adaptação aos novos desafios globais.
“A história ensina-nos e orgulha-nos pelo facto da independência nacional e autodeterminação do nosso povo, proclamadas a 12 de julho de 1975, terem sido alcançadas por via de diálogo e da negociação, sem recurso às armas.”

Num mundo marcado por crises geopolíticas, alterações climáticas e instabilidade económica, o Executivo considera que a diplomacia deve assumir um papel ainda mais estratégico.
“Para um pequeno Estado insular como o nosso, a diplomacia não é apenas um instrumento de política externa, é uma ferramenta estratégica de afirmação e de desenvolvimento.”
Entre as prioridades destacadas estão o reforço do multilateralismo, a ação climática e a segurança marítima no Golfo da Guiné.
“Exigimos justiça climática e o cumprimento dos compromissos internacionais que garantam a proteção dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento.”
O Governo defende ainda uma mudança de paradigma, com foco em resultados económicos concretos.
“Precisamos de ter a coragem de deixar progressivamente o modelo tradicional da diplomacia de representação para abraçarmos uma diplomacia voltada para os resultados tangíveis no domínio económico.”
A aposta passa por diplomatas mais preparados, proativos e capazes de atrair investimento e parcerias estratégicas para o país.
A cerimónia ficou também marcada pela inauguração da Biblioteca Institucional do Ministério dos Negócios Estrangeiros, vista como um espaço de formação e produção de conhecimento.
“Esta biblioteca representa muito mais do que um espaço físico. Representa um investimento no conhecimento, na memória institucional e na formação contínua dos nossos quadros.”

O momento serviu igualmente para homenagear diplomatas e antigas figuras do Estado, reconhecendo o seu contributo ao longo das décadas.
Um dos homenageados mostrou-se emocionado com o reconhecimento.
“Eu fiquei extremamente emocionado por duas razões. Primeiro, porque voltei a esta casa onde estive dois anos como ministro.”

Já a embaixadora de carreira Elisa Barros destacou os desafios enfrentados ao longo da profissão.
“É com um sentimento de profunda gratidão... não é fácil ao diplomata santomense, que serve o país com espírito de grande responsabilidade, mas com muitas limitações.”

A diplomata alertou ainda para a necessidade de maior apoio às novas gerações.
“Eu penso que a nova geração de diplomatas está um pouco perdida e é necessário muito mais apoio para que possam realmente estar capacitados.”
A celebração do Dia do Diplomata Santomense termina com um apelo à valorização da carreira e ao reforço do papel estratégico da diplomacia no desenvolvimento do país, num momento em que São Tomé e Príncipe procura afirmar-se cada vez mais no cenário internacional.