
O número de casos de paludismo em São Tomé e Príncipe continua a exigir atenção redobrada das autoridades sanitárias.
“De janeiro pra cá, já estamos a somar mil trezentos e sessenta casos de paludismo. Estamos numa situação bastante perigosa.”
Apesar do alerta, o Ministro da Saúde garante que, comparativamente ao ano passado, os dados ainda se mantêm dentro de uma tendência controlada.
“Comparando com o ano passado, a situação é mais ou menos equilibrada. A nossa intenção é que pra este ano consigamos melhorar os dados do ano passado… e tudo fazer para baixarmos dos quatro mil casos.”

Segundo o governante, o país tem vindo a reforçar as ações no terreno, com destaque para o distrito de Caué, uma das zonas mais afetadas, além da realização de fóruns e workshops com forte envolvimento da sociedade.
“Temos feito várias sessões de trabalho, implementamos medidas no terreno… e temos que fazer sempre uma avaliação do que precisa ainda melhorar.”
Entretanto, uma das preocupações prende-se com a redução do financiamento internacional, nomeadamente do Fundo Global, que deverá diminuir nos próximos anos.
“O montante foi reduzido… o país vai ver reduzido em volta de três milhões setecentos mil dólares para apoio a essas três doenças.”
Uma situação que surge numa altura crítica, em que o país poderia necessitar de mais recursos.
“Coincide, de facto, que precisávamos mais fundos e não menos fundos… por isso temos que maximizar ao máximo aquilo que vier.”
Entre as medidas em análise está o tratamento em massa, considerado um método eficaz a nível mundial, mas que ainda está em fase de avaliação no país.
“Vamos analisar a proposta de tratamento em massa… o tipo de medicamento, a sua eficácia, para tomarmos uma decisão.”
Quanto ao risco de rutura de medicamentos e testes, o Ministro explica que houve atrasos administrativos no Fundo Global, mas garante que a situação está a ser resolvida.
“Iremos receber muito em breve um lote de medicamentos para paludismo… e os reagentes também estão no mesmo sentido.”
Outro ponto crítico identificado é o saneamento do meio, considerado uma das principais causas do aumento de casos.
“Nas comunidades que têm menos acúmulo de lixo… há menos casos de paludismo. Onde há focos de mosquitos, há mais casos.”
O governante reconhece dificuldades no envolvimento das populações e defende maior responsabilidade individual.
“É um trabalho que tem que começar pela pessoa… as populações são resistentes a adotar as medidas.”
Sobre a extração descontrolada de areia, que tem criado focos de água parada e proliferação de mosquitos, o Ministro defende maior rigor e penalizações.
“Falhou? Multa. Multa uma, multa duas e suspende a autorização. É tão simples assim.”
Ainda assim, rejeita a ideia de um cenário semelhante ao vivido nas décadas passadas, marcado por elevados índices de mortalidade.
“À luz dos dados que tivemos, o que podemos dizer é que vamos conseguir melhorar a situação, não agravá-la.”
As autoridades reforçam que o combate ao paludismo depende não só das políticas públicas, mas também do envolvimento direto das comunidades, num esforço conjunto para eliminar a doença no país.