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Cabo Verde vem a São Tomé e Príncipe aprender com o processo de eliminação da transmissão do VIH/Sida

São Tomé e Príncipe está há quatro anos sem registar um único bebé infetado pelo VIH. Foi este resultado que levou o país a submeter, no ano passado, um relatório à Organização Mundial da Saúde para uma possível certificação da eliminação da transmissão de mãe para filho. E é esse percurso que a equipa cabo-verdiana quer agora conhecer.


Dra. Alzeira, Programa Nacional de Luta contra o VIH/Sida

"Já há quatro anos que nós não tivemos nenhum bebé infetado, o que é muito bom para o país, com a nossa estratégia de tratar todas as mães seropositivas, tratar o bebé logo após o nascimento e esse seguimento do bebé até ao desmame."


A responsável garante que a pandemia da Covid-19 não travou a resposta ao VIH e que os medicamentos continuaram a chegar aos doentes, com apoio dos parceiros. O número de pacientes tem aumentado, por se tratar de uma doença crónica, mas a prevalência mantém-se nos 0,5%.


No terreno, o trabalho começa nas consultas pré-natais. No distrito de Lobata, a enfermeira Sorteana Lima, ponto focal para a prevenção da transmissão mãe-filho, fala em bons resultados desde 2019, mas também em desafios.


Sorteana Lima, Enfermeira, ponto focal Lobata

"Temos muitos desafios, porque nós estamos a falar de uma patologia na qual há um alto teor de estigma e então requer muita dedicação, paciência para com os mesmos pacientes. Mas com o trabalho e sensibilização, tem ganhos e melhorias neste serviço."


Do lado cabo-verdiano, a missão insere-se na cooperação Sul-Sul, com financiamento da Embaixada da Índia em Cabo Verde, através da UNICEF. O país, já certificado na eliminação da pólio, do sarampo, da rubéola e do paludismo, quer agora seguir o caminho de São Tomé e Príncipe.


Adilson de Pina secretário-executivo do CCS-SIDA, Cabo Verde

"São Tomé já está num processo bastante avançado, já percorreu este caminho, Cabo Verde já está a começar. Cabo Verde está a pensar na tripla eliminação, que é VIH, sífilis e hepatite B."


Cabo Verde regista uma prevalência de VIH à volta de 0,6%, mais elevada em populações vulneráveis, e prepara novidades como a PrEP injetável e o autoteste. Para o responsável, a troca de experiências entre os dois arquipélagos beneficia todos.


"Essas trocas de experiências são sempre bem-vindas porque saímos todos a ganhar e no final também a nossa população, a qualidade de vida será melhorada e a qualidade de respostas na saúde." Adilson de Pina secretário-executivo do CCS-SIDA, Cabo Verde


A colaboração entre os dois países não é nova: em 2022, já tinha havido cooperação na área do paludismo, que culminou com a certificação de Cabo Verde como país livre da doença, em 2024.