×
Governo quer operacionalizar Estatuto do Imigrante Investidor em 90 dias

Especialistas e representantes institucionais defenderam várias medidas para garantir o sucesso da lei que regula o estatuto do imigrante investidor. Entre as recomendações apresentadas está o reforço da coordenação entre instituições públicas, incluindo entidades ligadas às áreas das finanças, economia, investimento e comunidades.


“Reforço da coordenação inter-institucional. Recomenda-se o fortalecimento da coordenação entre as instituições públicas relevantes, designadamente a Agência de Promoção de Comércio e Investimento, o Banco Central e os ministérios responsáveis pelas áreas de finanças, economia e investimento.”


 

Os especialistas também defenderam a criação de incentivos claros para tornar o país mais atrativo para os santomenses residentes no exterior que desejam investir no seu país de origem.

“Sugere-se a adoção de incentivos e garantias claras e competitivas, incluindo medidas de natureza fiscal, administrativa e aduaneira, com o objetivo de tornar o estatuto mais atrativo para os membros da diáspora interessados em investir no país.”

 

Outra proposta apresentada durante o encontro é a criação de um registro nacional de imigrantes investidores, que permitirá acompanhar os projetos e avaliar o impacto econômico e social das iniciativas.


“Recomenda-se a criação de um sistema de registro e acompanhamento dos imigrantes investidores que permita identificar os beneficiários do estatuto, monitorizar os projetos de investimento e avaliar o impacto econômico e social das iniciativas apoiadas.”


 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros destacou que cerca de 18% da população santomense vive atualmente no exterior, o que torna a diáspora um importante parceiro para o desenvolvimento do país.

“Estima-se que cerca de 18% da população santomense reside atualmente no exterior do país. O fenómeno migratório constitui hoje uma realidade estrutural da nossa sociedade, com implicações económicas, financeiras, sociais e culturais.”

 

Segundo o Governo, apesar do grande potencial, a contribuição financeira da diáspora para a economia nacional ainda está abaixo do esperado.


“Em Santo Tomé e Príncipe essa potencialidade não tem sido capitalizada, pois estima-se que a contribuição financeira da nossa diáspora para o desenvolvimento nacional representa atualmente menos de 300 euros anual por imigrante.” Ilza Maria Amado Vaz |Ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades

 



O Ministro das Finanças reconheceu que, apesar da lei existir desde 2022 e ter sido revista em 2024, ainda não foi devidamente operacionalizada.

“Passado quatro anos desde a sua elaboração, até hoje nós não temos um instrumento principal que é a sua operacionalização.” Gareth Guadalupe /  Ministro de Estado Economia e Finanças

 



Para mudar esse cenário, o governante anunciou a criação imediata de uma comissão envolvendo várias instituições públicas, financeiras e representantes da diáspora.


“Vamos criar de imediato uma comissão envolvendo a Autoridade Aduaneira, a Direção dos Impostos, instituições financeiras, a Câmara do Comércio e representantes dos imigrantes na Europa e em África.” Gareth Guadalupe /  Ministro de Estado Economia e Finanças

 

O objetivo é acelerar o processo e garantir que o estatuto se torne uma realidade num curto prazo.

“É importante que o dia de hoje comece já a contar no período máximo de 90 dias para que possamos operacionalizar esta lei do estatuto de imigrantes investidores.” Gareth Guadalupe /  Ministro de Estado Economia e Finanças

 


Entre os participantes do encontro esteve também um representante da diáspora, que considera a iniciativa importante, mas lembra que o sucesso dependerá da criação de incentivos concretos.


“Parece-me ser uma iniciativa bastante louvável e que pode ajudar a atrair mais recursos dos santomenses que trabalham fora do país, mas tem que haver incentivos, claro. A esmagadora maioria dos imigrantes manda dinheiro através de amigos ou conhecidos, porque o sistema financeiro não tem mecanismos que incentivem a entrada desses recursos.” João Vieira  / Representante dos Imigrantes



O ateliê terminou com o compromisso das instituições presentes de trabalhar para operacionalizar o estatuto do imigrante investidor, considerado um instrumento estratégico para fortalecer o investimento da diáspora e impulsionar o desenvolvimento económico de São Tomé e Príncipe.

 

 POR: Ednel Abreu

Imagem: TVS

Edição: André Trindade

GLEBA TV 2026