O Ministério da Saúde distinguiu os melhores trabalhos apresentados durante a Jornada Científica da Saúde, numa cerimónia que marcou o encerramento da edição anterior e o lançamento da próxima jornada científica.
O ministro da Saúde destacou que a premiação representa um reconhecimento pelo mérito e dedicação dos profissionais, além de servir de incentivo para que mais quadros invistam na investigação científica.
Ministro da Saúde
"É um momento de estímulo. Qualquer profissional aprecia quando o seu trabalho e o seu mérito são reconhecidos."

Segundo o governante, embora cerca de 90 profissionais tenham manifestado interesse em participar, foram apresentados 40 trabalhos científicos, considerados um resultado muito positivo para uma iniciativa ainda recente.
O ministro explicou que vários estudos apresentados contêm propostas concretas para a melhoria dos serviços de saúde e serão encaminhados às direções competentes para avaliação e possível implementação.
Ministro da Saúde
"Os trabalhos apresentados têm muita utilidade para serem implementados, porque apresentam propostas que poderão melhorar várias áreas da saúde."
A próxima edição da Jornada Científica já está em preparação e decorrerá sob o lema "Saúde em São Tomé e Príncipe: desafios, respostas e propostas para o futuro."
Entre os vencedores da edição, a médica Elisa Angola Gonfi, do Programa Nacional de Controlo da Tuberculose, conquistou o primeiro prémio com um estudo desenvolvido em parceria com o doutor Munifá sobre a diversidade genética do VIH em São Tomé e Príncipe e a resistência do vírus aos medicamentos antirretrovirais.
Elisa Angola Gonfi, vencedora do 1.º prémio
"Fico muito feliz com a iniciativa do Ministério da Saúde, porque permite aos profissionais apresentar os resultados científicos que produzimos e contribuir para a melhoria da saúde em São Tomé e Príncipe."
A investigadora explicou que o estudo contou com a colaboração do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, tendo parte da investigação sido realizada em São Tomé e outra em laboratório especializado no exterior, devido à limitação de meios laboratoriais no país.
Segundo a médica, os resultados permitirão orientar melhor a escolha dos medicamentos para os doentes com VIH, identificando tratamentos mais adequados em casos de resistência aos antirretrovirais.
Também distinguida com o segundo prémio, a médica Taiana Palmeira das Neves, diretora da Área de Saúde de Caué, apresentou um caso clínico raro de linfoma não-Hodgkin do tipo micose fungoide.
Taiana Palmeira das Neves
"Foi uma atividade enriquecedora. É uma forma de partilhar com os colegas casos difíceis e raros de encontrar."
A médica reconheceu que o trabalho foi desafiante, sobretudo pela inexistência, à época, de especialistas em dermatologia no país, tendo contado com o apoio de médicos portugueses durante o processo de investigação.
A cerimónia distinguiu ainda profissionais de diferentes áreas da saúde, incluindo fisioterapeutas, que consideram a jornada científica uma oportunidade para dar maior visibilidade às suas especialidades e reforçar a qualidade da assistência prestada aos doentes.
Com a abertura das inscrições para a próxima edição, o Ministério da Saúde espera aumentar o número de participantes e consolidar a cultura de investigação científica como instrumento essencial para o fortalecimento do sistema nacional de saúde.