O candidato às eleições presidenciais de São Tomé e Príncipe, Miques João, denunciou uma alegada entrada de militares armados na sua residência durante a madrugada, afirmando que o episódio representa uma ameaça à sua integridade física e exige esclarecimentos por parte do Estado.
Segundo o candidato, o caso aconteceu por volta da uma hora e trinta minutos da madrugada, quando um grupo de cerca de cinco a seis militares terá entrado no quintal da sua residência e também nas proximidades da casa da sua irmã.

Miques João explicou que a presença dos militares foi descoberta depois de os cães da residência começarem a ladrar, alertando os familiares. De acordo com o relato apresentado, um familiar encontrou os militares já dentro da propriedade, todos armados.
O candidato afirmou que, ao serem questionados sobre a razão da presença no local, os militares terão indicado que estavam à procura de “desenfiados”, ou seja, militares ausentes sem autorização.
Para Miques João, a justificação apresentada levanta dúvidas, sobretudo pelo horário da operação e pelo facto de a ação ter ocorrido na residência de um candidato presidencial.
“Mesmo que existisse algum desenfiado nesta zona, não se procura desenfiado a essas horas e muito menos na residência de um candidato”, afirmou.

O candidato relacionou o episódio com as suas recentes declarações públicas sobre o caso de 25 de Novembro, processo sobre o qual afirma defender novos esclarecimentos e responsabilização pelos acontecimentos ocorridos.
Miques João afirmou que a visita dos militares aconteceu poucos dias depois de ter retomado o tema durante o seu tempo de antena eleitoral, considerando que a situação pode representar uma tentativa de intimidação.
Questionado sobre a referência feita ao Presidente da República, Carlos Vila Nova, o candidato explicou que a ligação está relacionada com a estrutura de comando das Forças Armadas.
Segundo Miques João, sendo o Presidente da República o comandante supremo das Forças Armadas, cabe ao Estado esclarecer a atuação dos militares envolvidos.
O candidato esclareceu, no entanto, que não apresenta uma acusação direta contra uma pessoa específica, defendendo que é necessária uma investigação para apurar responsabilidades.
“Eu não suspeito de ninguém. O que eu sei é que é o Estado que tem de explicar o que aconteceu”, declarou.
Miques João afirmou possuir testemunhas e informações que poderão contribuir para identificar alguns dos militares presentes no local, aguardando uma resposta oficial das autoridades.
Sobre a sua segurança pessoal, o candidato disse sentir que a sua vida está em risco e recordou alegadas ameaças que afirma ter recebido anteriormente devido às suas posições sobre o caso de 25 de Novembro.
“A minha vida está em risco. Se eu tivesse saído naquela madrugada, poderia ter acontecido uma tragédia”, afirmou.

O candidato apelou à atenção das instituições nacionais e da comunidade internacional, incluindo organizações como as Nações Unidas e a CPLP, defendendo que todos os candidatos presidenciais devem ter garantias de segurança durante o processo eleitoral.
Apesar da denúncia, Miques João garantiu que continuará a campanha no terreno e o contacto direto com os cidadãos.
“Mesmo com esta situação, vou continuar a conversar com o meu povo e apresentar a minha mensagem”, afirmou.

Na segunda parte da entrevista, o candidato abordou questões ambientais, nomeadamente a extração de areia na zona de Praia Emília. Miques João defendeu que o combate aos crimes ambientais deve ser acompanhado por medidas sociais que criem alternativas para as populações.
O candidato afirmou ainda que o Estado deve intervir na situação da lixeira da Penha, considerando que o local representa um problema ambiental e de saúde pública.