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Uma centena de representantes da sociedade civil está a ser preparada para acompanhar o processo eleitoral de 2026 em São Tomé e Príncipe. A iniciativa, considerada pioneira no país, pretende apoiar a Comissão Eleitoral Nacional no acompanhamento das diferentes etapas do ato eleitoral e garantir uma participação mais inclusiva dos cidadãos.


Entre os participantes está Florentino Quaresma, que pela primeira vez assume a função de delegado eleitoral, depois de já ter participado em ações de promoção da inclusão das pessoas com deficiência nas eleições anteriores.


“É a primeira vez como delegado, mas nas eleições anteriores já participámos procurando fazer aquela eleição inclusiva, que pudesse criar condições para que todos os deficientes tomassem parte nas eleições. Dessa vez vamos como delegados e, graças a Deus, estou a aprender”, afirmou.


Durante a formação, os delegados estão a receber orientações sobre o funcionamento das mesas de voto, o preenchimento de formulários eletrónicos através de tablets e os procedimentos que deverão seguir no dia das eleições.


Segundo Florentino Quaresma, a preparação está a decorrer de forma positiva. “Estamos a aprender bem a postura do delegado numa mesa de voto. Estamos também a aprender a lidar com as informações contidas no tablet, os formulários que vamos preencher obrigatoriamente lá na mesa de voto. Tudo está a correr a bom ritmo”, explicou.


A formação é promovida pela Plataforma de Observação da Sociedade Civil para as Eleições em São Tomé e Príncipe, em parceria com a Comissão Eleitoral Nacional.


Cristiano Costa, coordenador da plataforma, explicou que o objetivo é fortalecer o papel da sociedade civil no acompanhamento eleitoral.


“Esta é a segunda formação destinada aos delegados da sociedade civil para apoiar os serviços eleitorais nacionais, numa parceria com a Comissão Eleitoral Nacional. Esses delegados irão ajudar a acompanhar o processo e contribuir para a melhoria dos serviços e da participação da própria sociedade civil”, disse.


A iniciativa reúne várias organizações, incluindo associações juvenis, organizações não governamentais e representantes das pessoas com deficiência.


Para Cristiano Costa, trata-se de um momento importante para a democracia santomense. “É uma participação pioneira. É a primeira vez que uma iniciativa desta natureza tem lugar em São Tomé, onde a sociedade civil está de forma ativa a dar a sua colaboração para que a democracia seja mais consistente, participativa e inclusiva”, destacou.


Um dos principais focos da iniciativa é garantir melhores condições de participação eleitoral para pessoas com deficiência. O coordenador da plataforma explica que a presença destes representantes permitirá identificar dificuldades e propor melhorias.


“Ninguém deve fazer as coisas sem a participação deles. Com a presença e participação das pessoas com deficiência podemos identificar os pontos ou as lacunas existentes e melhorar no futuro a participação delas”, afirmou.


No total, mais de cem participantes estarão envolvidos na operação, com distribuição prevista para todos os distritos do país e a Região Autónoma do Príncipe. Os delegados terão a missão de recolher informações sobre o funcionamento das mesas de voto, acessibilidade, cumprimento dos horários e eventuais dificuldades encontradas pelos eleitores.


Cristiano Costa esclarece que o trabalho dos delegados não interfere na contagem oficial dos votos.


“Não irá criar expectativa sobre o resultado, porque não é esse o propósito. O objetivo é acompanhar o processo, registar as etapas e enviar informações que poderão ajudar a Comissão Eleitoral na elaboração dos seus relatórios”, explicou.


Entre os dados recolhidos estarão informações sobre a abertura das mesas, acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, funcionamento dos equipamentos e situações enfrentadas pelos eleitores.


A Federação das Associações das Pessoas com Deficiência de São Tomé e Príncipe também participa na iniciativa. Eugénia Guadalupe Sacramento considera que este representa um avanço importante na luta pela inclusão.


“Estou feliz. É a primeira vez que as pessoas com deficiência participam numa plataforma da sociedade civil. Isto já é um passo para nós. Estamos a criar muita esperança na vida das pessoas com deficiência”, afirmou.


A representante defendeu ainda que, no dia da votação, deve existir uma atenção especial para diferentes grupos com necessidades específicas.


“Peço a atenção de todos para que, no dia do voto, as pessoas deem mais atenção às pessoas com deficiência. As pessoas com albinismo não conseguem estar muito tempo ao sol, as pessoas surdas precisam de comunicação adequada, as pessoas cegas têm as suas dificuldades e precisam de apoio”, apelou.


Eugénia Guadalupe Sacramento destacou também a importância da sensibilização da sociedade.


“Quando vemos uma pessoa com deficiência, devemos dar melhor atenção, porque não é fácil ter o mesmo tratamento. Precisamos todos de ter grande sensibilidade para estas pessoas”, reforçou.


A representante deixou ainda palavras de agradecimento às entidades envolvidas no processo, nomeadamente ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ao Governo do Japão, enquanto financiador, e à Comissão Eleitoral Nacional pela organização da iniciativa.


“Quero agradecer ao PNUD por esta participação, à Comissão Eleitoral, que permitiu pela primeira vez a participação das pessoas com deficiência nesta caravana, e ao Japão, que financiou este apoio. Vamos trabalhar juntos para melhorar a vida das pessoas com deficiência em São Tomé e Príncipe”, concluiu.


A preparação dos delegados surge como uma nova etapa no reforço da participação cidadã e na construção de um processo eleitoral mais inclusivo no país.