As Forças Armadas de São Tomé e Príncipe repudiaram as declarações do candidato às eleições presidenciais de 2026, Miques João, que afirmou ter sido alvo de uma alegada invasão militar à sua propriedade e de perseguição política.
Num comunicado divulgado pelo Estado-Maior, a instituição afirma que as declarações "não correspondem à verdade" e considera que podem afetar a imagem, a honra e a credibilidade das FASTP, especialmente durante o período eleitoral.
Segundo o comunicado, a operação militar decorreu entre os dias 10 e 11 de julho de 2026 nas localidades de Santa Catarina, Batepá e São Felícia, na zona de Quilemba, tendo como missão localizar militares que se encontravam em situação de deserção há mais de cinco meses.
As FASTP informam que quatro militares desertores foram localizados e detidos durante a operação. Um deles encontrava-se na zona de Quilemba, a mais de 500 metros da residência de Miques João. A instituição garante que nenhum militar entrou, realizou buscas ou qualquer outra ação na propriedade ou residência do candidato.
O Estado-Maior acrescenta que a missão foi conduzida ao abrigo do Código de Justiça Militar e do Regulamento de Disciplina Militar, sublinhando que a operação não teve qualquer motivação política ou eleitoral.
No comunicado, as Forças Armadas revelam ainda que as acusações surgem dias depois de terem recusado um pedido apresentado por Miques João para visitar o Quartel de Morro e o Centro de Instrução Militar no âmbito da campanha eleitoral.
Perante as declarações, o Estado-Maior anunciou que irá apresentar uma queixa-crime junto do Ministério Público, defendendo que as acusações carecem de fundamento e lesam a reputação da instituição.
"As Forças Armadas de São Tomé e Príncipe rejeitam as acusações de perseguição política feitas pelo candidato presidencial Miques João. Em comunicado, o Estado-Maior esclarece que a operação realizada na madrugada de 11 de julho tinha como único objetivo localizar militares desertores e garante que nenhuma ação foi efetuada na residência do candidato. A instituição anunciou ainda que vai apresentar uma queixa-crime junto do Ministério Público por considerar que as declarações atentam contra a honra e a credibilidade das Forças Armadas."
Por fim e comunicado as Forças Armadas reafirmam o seu compromisso com a Constituição da República, a neutralidade político-partidária, o Estado de Direito Democrático e o cumprimento das suas responsabilidades constitucionais.