O presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), Américo Barros, veio a público esclarecer os acontecimentos que envolveram a candidatura presidencial de Jorge Bom Jesus, afirmando que o antigo primeiro-ministro terá manifestado, em várias reuniões, a intenção de retirar a sua candidatura às eleições presidenciais.
Falando durante uma conferência de imprensa, Américo Barros começou por tranquilizar os militantes, simpatizantes, parceiros nacionais e internacionais do partido, sublinhando que o MLSTP é uma instituição histórica que deve ser preservada acima dos interesses individuais.
“O MLSTP tem uma história e cada um de nós passa, mas a instituição permanece. Por isso, devemos todo o respeito ao partido”, declarou.
O dirigente recordou ainda o seu percurso profissional no Banco Central de São Tomé e Príncipe, destacando os vários cargos que ocupou ao longo da carreira para sustentar a sua credibilidade e sentido de responsabilidade institucional.
Foco do partido nas eleições legislativas
Américo Barros explicou que a direção do partido definiu, desde o início do ano, que a principal prioridade do MLSTP seriam as próximas eleições legislativas. Segundo afirmou, esta orientação foi aprovada pelo Conselho Nacional realizado a 28 de fevereiro.
No âmbito da preparação para o ciclo eleitoral, disse ter mantido contactos com várias figuras históricas e potenciais candidatos presidenciais ligados ao partido, entre os quais Pócer da Costa, Rafael Branco, Maria das Neves, Elsa Pinto, Edite Tenjua e Jorge Bom Jesus.
De acordo com o presidente do MLSTP, alguns dirigentes manifestaram interesse numa eventual candidatura presidencial, mas alegaram não possuir condições logísticas e financeiras para avançar.
Reuniões com Jorge Bom Jesus
Américo Barros revelou que Jorge Bom Jesus apresentou ao partido uma carta manifestando a intenção de concorrer às eleições presidenciais como candidato independente. Posteriormente, a Comissão Política analisou a situação e decidiu aprofundar o diálogo com o ex-primeiro-ministro.
Segundo o líder do MLSTP, várias reuniões foram realizadas e contaram com a presença de testemunhas.
“Ficou claro que o camarada Jorge assumiu que retiraria a sua candidatura”, afirmou Américo Barros.
O presidente do partido disse ainda que Jorge Bom Jesus terá autorizado a Comissão Política a divulgar essa decisão, alegando apenas que pretendia primeiro comunicar a alguns investidores com quem mantinha compromissos.
Críticas ao antigo líder do partido
Durante a conferência, Américo Barros lamentou o que classificou como mais um episódio de instabilidade provocado por Jorge Bom Jesus dentro do partido.
“O camarada Jorge Bom Jesus cria mais uma vez um desconforto no seio do MLSTP”, afirmou.
Apesar das críticas, garantiu que a direção socialista não pretende divulgar informações que possam prejudicar a imagem do antigo líder do partido, defendendo uma postura de responsabilidade política e institucional.
Apelo à unidade
Na parte final da sua intervenção, Américo Barros apelou aos militantes e simpatizantes para respeitarem as decisões dos órgãos do partido e manterem a serenidade durante o atual processo político.
“Apelo à tranquilidade. Aquilo que é de Deus será de Deus”, concluiu.
A conferência de imprensa acontece num momento de crescente debate interno no MLSTP sobre o posicionamento do partido face às eleições presidenciais de 19 de julho, numa altura em que diferentes sensibilidades procuram influenciar o rumo político da maior força da oposição santomense.