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Agência Nacional do Petróleo garante que presença da empresa brasileira aumenta a confiança no país, mas alerta que a descoberta comercial depende de novas perfurações e de tempo


A entrada da Petrobras no Bloco 3 da Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe representa um novo sinal de confiança no potencial petrolífero do arquipélago segundo o responsável, a Petrobras já participa em outros três blocos petrolíferos em São Tomé e Príncipe e passa agora a integrar o Bloco 3 na qualidade de operadora, assumindo responsabilidades técnicas e operacionais no projeto.


“Representa, em primeiro lugar, o reforço da confiança na potencialidade de petróleo aqui em São Tomé e Príncipe”, afirmou Álvaro Silva, acrescentando que a decisão da empresa brasileira demonstra que existe interesse no potencial da região.



O diretor esclareceu, no entanto, que a Petrobras não entra num bloco novo. O Bloco 3 tinha sido atribuído anteriormente à empresa Oranto Petroleum, em 2011, e a entrada da companhia brasileira resulta de uma parceria entre as duas entidades para intensificar os trabalhos de pesquisa.


De acordo com Álvaro Silva, neste processo o Estado são-tomense atua como regulador, verificando se a operação cumpre as normas previstas na legislação nacional e no contrato de partilha de produção.


Experiência brasileira em águas profundas


A tecnologia e a experiência da Petrobras em operações de águas ultraprofundas são apontadas como um dos fatores importantes para o reforço da exploração em São Tomé e Príncipe.


O responsável da Agência Nacional do Petróleo destacou também as semelhanças geográficas entre algumas áreas do Brasil e a região equatorial onde se encontra São Tomé e Príncipe, considerando que a experiência acumulada pela empresa brasileira poderá contribuir para aumentar as possibilidades de sucesso.


“Eles acreditam que o mesmo potencial que existe do outro lado pode também existir em São Tomé e Príncipe”, explicou.


Possíveis novas perfurações em 2028


Questionado sobre uma data concreta para a perfuração no Bloco 3, Álvaro Silva afirmou que ainda não existe uma previsão específica, mas indicou que os trabalhos em curso apontam para a possibilidade de novas perfurações no país em 2028.


O diretor da Agência Nacional do Petróleo explicou que a exploração petrolífera é um processo longo e que muitos países produtores passaram por décadas de pesquisa antes de conseguirem uma descoberta comercial.


“Existe petróleo, falta encontrar uma quantidade comercial”


Perante a expectativa da população, que acompanha o tema do petróleo desde os anos 90 sem que ainda tenha ocorrido uma produção comercial, Álvaro Silva apelou à compreensão sobre os desafios da indústria petrolífera.


O responsável deu como exemplo países produtores da região do Golfo da Guiné, como Angola, Nigéria e Guiné Equatorial, que também enfrentaram longos períodos de pesquisa antes de alcançarem descobertas economicamente viáveis.


Segundo explicou, as perfurações realizadas em São Tomé e Príncipe já confirmaram a existência de petróleo, mas os volumes encontrados até agora não foram suficientes para justificar uma exploração comercial.


“Hoje é certo que existe petróleo em São Tomé e Príncipe porque as perfurações encontraram petróleo. Agora, não tivemos ainda a felicidade de, naquele poço específico, existir grande quantidade”, afirmou.


Álvaro Silva considera que o interesse crescente de grandes empresas internacionais na Zona Económica Exclusiva do país é um fator positivo e reforça a esperança de uma futura descoberta comercial.


“É bastante animador saber que cada vez mais empresas de relevo estão interessadas na zona económica de São Tomé e Príncipe”, concluiu.