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Seminário Internacional reforça compromisso com a educação inclusiva em São Tomé e Príncipe

São Tomé e Príncipe acolheu um Seminário Internacional dedicado à Educação Especial Inclusiva, integrado no projeto "Desenvolvimento da Educação Especial Inclusiva", financiado pelo Banco Mundial e coordenado pelo Ministério da Educação. A iniciativa reúne especialistas nacionais e internacionais com o objetivo de reforçar as competências técnicas, promover a inclusão escolar e preparar o país para responder aos desafios da educação de crianças com necessidades educativas específicas.


O coordenador do projeto, Luís Castanheira, explicou que o seminário marca o arranque de um conjunto de ações previstas no projeto, incluindo formação de técnicos, criação de materiais pedagógicos adaptados e capacitação de professores em todo o território nacional.


 Luís Castanheira


Segundo Luís Castanheira, o projeto pretende preparar toda a sociedade santomense para uma verdadeira educação inclusiva.


 "Nós não queremos preparar apenas os professores ou as escolas. Queremos preparar toda a sociedade de São Tomé e Príncipe para compreender que todas as crianças, sem exceção, têm direito à educação e merecem uma oportunidade."




O responsável reconheceu que o tempo de execução do projeto representa um dos maiores desafios, uma vez que decorre entre março e dezembro. Ainda assim, destacou que está prevista a formação de 51 professores especialistas em educação especial inclusiva, através de um novo mestrado desenvolvido em parceria com a Universidade de São Tomé e Príncipe.


Castanheira defendeu ainda que o verdadeiro impacto será alcançado quando o país passar a produzir investigação científica nesta área.


 "Os resultados não aparecem de imediato. O objetivo é criar especialistas e investigadores capazes de encontrar soluções para os desafios da educação inclusiva em São Tomé e Príncipe."



A representante da ACAPO, Graça Gerardo, afirmou que a sua missão passa por transmitir conhecimentos sobre orientação, mobilidade, pré-braile e braile aos professores santomenses, contribuindo para uma melhor inclusão de alunos com deficiência visual. A especialista alertou, contudo, para as dificuldades de acessibilidade existentes no país, apontando problemas nas vias públicas, nos transportes e na mobilidade urbana.

Graça Gerardo defendeu igualmente o reforço da cooperação entre São Tomé e Príncipe, Portugal e outras organizações internacionais.


 "É importante criar parcerias, procurar quem tem experiência nesta área e trabalhar em conjunto para desenvolver projetos que melhorem a qualidade de vida das pessoas com deficiência."



A diretora do Ensino Especial de São Tomé e Príncipe, Ana Maria Vieira Cruz, explicou que o seminário surge da necessidade de atualizar conhecimentos e acompanhar a evolução dos conceitos e metodologias da educação inclusiva.


"Esta é uma área em constante evolução. Precisamos conhecer novas estratégias e novas formas de garantir igualdade de oportunidades para todas as crianças."


A responsável reconheceu que nem todas as recomendações poderão ser implementadas já no próximo ano letivo, mas acredita que muitas medidas poderão começar a ser aplicadas de forma gradual. Entre os principais desafios identificados estão a formação de recursos humanos, o reforço das infraestruturas e a melhoria da acessibilidade nas escolas.


 "As crianças precisam sobretudo de oportunidades. Muitas vezes, o principal obstáculo não é a deficiência, mas a falta de acessibilidade e de condições adequadas."


Ao longo do seminário, os intervenientes defenderam que a construção de um sistema educativo verdadeiramente inclusivo depende da colaboração entre o Governo, instituições de ensino, associações, famílias e sociedade civil, garantindo que nenhuma criança fique excluída do direito à educação.