Na cerimonia do ato central dos acontecimentos de 3 de Fevereiro de 1953 em Fernão Dias o Presidente Carlos Vila Nova afirmou que cada regresso à memória de do massacre de Batepá traz novos elementos que ajudam a compreender a violência do regime colonial e o impacto duradouro desses acontecimentos na identidade São-tomense.
“Os acontecimentos de Batepá, em 1953, são a
referência maior do despertar da nossa consciência nacional. Tudo aquilo que
somos hoje começou ali.” Carlos Vila Nova / Presidente
Da República de STP

Segundo o
Chefe de Estado, o Massacre de Batepá antecedeu qualquer organização de luta
armada nos países africanos de língua oficial portuguesa, tendo sido um marco
decisivo para o surgimento do espírito de revolta anticolonial e de organização
política em toda a região.
“Este foi um marco que fez unir o povo e
criar o espírito de resistência contra o colonialismo, muito antes de outras
formas organizadas de luta.” Carlos Vila Nova / Presidente Da República de STP
O Presidente
referiu-se também aos sobreviventes do massacre, cujo número continua a
diminuir com o passar dos anos. Atualmente, restam poucos, alguns fora da
capital, realidade que exige, segundo o Presidente, um acompanhamento humano e
institucional constante.
“É a lei da vida. O importante é que eles sintam que não estão esquecidos, que
há solidariedade e respeito pelo sacrifício que fizeram.” Carlos Vila Nova / Presidente Da República de STP
Questionado
sobre a atual crise política interna, o Presidente abordou a recente escalada
de tensão no Parlamento Nacional, incluindo a destituição da Presidente da
Assembleia Nacional e a revogação da lei interpretativa e a exoneração dos
cinco Juizes do Tribunal Constitucional Carlos Vila Nova reconheceu
o clima de crispação política, mas defendeu que os incidentes devem servir como
lição para o fortalecimento das instituições democráticas.
“Espero sinceramente que todos estes
acontecimentos sirvam de aprendizagem para fortalecer a nossa democracia. A
separação de poderes tem de ser respeitada.” Carlos Vila Nova / Presidente Da República de STP

Sobre o
Tribunal Constitucional, o Presidente foi particularmente crítico, afirmando
que o órgão atravessa um momento de grande descrédito junto da população. Ainda
assim, garantiu que irá agir dentro dos limites constitucionais e com base em
informações mais completas.
“O elevado índice de descrença retira
credibilidade a este órgão. O país não pode ser bloqueado por meia dúzia de
pessoas, sejam deputados, juízes ou outros.” Carlos Vila Nova / Presidente Da República de STP

No plano regional, o Presidente comentou a situação política e de segurança na Guiné-Bissau, marcada por instabilidade institucional, detenções e incerteza quanto ao funcionamento das instituições democráticas. Sobre a indicação do ex-primeiro-ministro são-tomense Patrício Trovoada como mediador da União Africana, Carlos Vila Nova esclareceu que São Tomé e Príncipe não foi consultado oficialmente.
“O povo da Guiné-Bissau não precisa de mais intrigas nem de mais tensão. Precisa de paz, de esperança e do regresso das instituições democraticamente eleitas.” Carlos Vila Nova / Presidente Da República de STP
O Presidente
defendeu ainda a libertação incondicional de todos os detidos no contexto da
crise guineense e apelou a um processo inclusivo que permita o restabelecimento
da normalidade democrática no país vizinho.
“Todos têm de fazer parte do processo.
Só assim se pode devolver à Guiné-Bissau a vivência democrática.” Carlos
Vila Nova / Presidente Da República de STP

O Presidente
Carlos Vila Nova reiterou o compromisso com a consolidação da democracia em São
Tomé e Príncipe, sublinhando que a memória histórica de Batepá, os desafios
políticos internos e a estabilidade regional exigem responsabilidade, diálogo e
maturidade institucional.
Por: Varela Tavares
Imagem: Siclay Abril
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