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Associação "Ilha dos Poetas Vivos" promove festival de poesia de tributo à ação, memória e legado à poetisa Conceição Deus Lima

A homenagem começou com palavras profundamente simbólicas sobre a forma como a autora traduzia São Tomé em versos.


A leitura poética evocou imagens do quotidiano santomense, das praias, das dificuldades sociais e das esperanças adiadas, apresentando a escritora como uma voz capaz de transformar a realidade nacional em literatura.


Em representação da família, foi deixada uma mensagem de agradecimento pela realização do primeiro festival de homenagem e reforçada a intenção de preservar a herança intelectual da autora.


 FAMÍLIA


*“O legado da São é gigante. A São dizia que era mais valorizada no estrangeiro que no seu próprio país e que amar São Tomé e Príncipe fazia sofrer.”*


A família revelou ainda a existência de materiais inéditos.


 FAMÍLIA


*“Descobrimos muitos poemas inéditos da São. Ela estava a trabalhar em pelo menos duas obras e teremos seguramente obra póstuma.”*


Num discurso emocionado, foi assumido o compromisso de continuar a defender e eternizar o nome da escritora.


 FAMÍLIA


*“Não deixaremos seguramente o nome e a obra da São ao acaso. A família estará na vanguarda da defesa do seu legado.”*


Entre os testemunhos académicos, destacou-se a intervenção de Marlene José, professora de literatura e diretora da Biblioteca Nacional, que recordou o percurso de estudo e divulgação da autora.


– MARLENE JOSÉ


*“É bonito ver todos reunidos para falar sobre a São e para a São. Mas a São também teve homenagens em vida e isso é importante recordar.”*


A investigadora explicou ainda que o seu contacto com a obra começou ainda durante o percurso universitário.


 – MARLENE JOSÉ


*“O meu encanto pela São partiu da sua obra, principalmente de ‘Dolorosa Raiz de Micondó’, e continua a ser inspiração para mim como professora e leitora.”*


O momento ganhou ainda dimensão internacional com uma participação ligada à Embaixada de Angola, onde foi declamado um poema de Agostinho Neto em reconhecimento ao papel da escritora na interpretação e transmissão da literatura africana.


Mas foi uma das intervenções finais que deixou uma das reflexões mais fortes da noite.


Num discurso sobre memória, arte e reconhecimento, foi defendido que São Tomé precisa de valorizar os seus criadores enquanto estão presentes.




*“Somos um país estranho. Um país que enterra os seus tesouros e depois procura ouro.”*


A intervenção lembrou ainda que os artistas permanecem para além dos ciclos políticos.




*“Enquanto uns governam em mandatos, os artistas governam gerações.”*


Também houve espaço para destacar a importância da autora na preservação da língua e da identidade santomense, sublinhando que muitas das suas obras retratam fenómenos sociais, históricos e culturais que ajudam a compreender o país.


Entre as referências, foi citado o impacto de obras como *Dolorosa Raiz de Micondó* e textos que abordam temas como exclusão social, colonialismo, imigração e identidade linguística.




Entre versos, lágrimas e aplausos, ficou a certeza de que algumas vozes não desaparecem.


Conceição Lima deixa páginas por publicar, poemas por descobrir e uma obra que continuará a ser lida como espelho de São Tomé e Príncipe.