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Governo Regional garante continuidade de investimentos e responde a preocupações que inquietam o Príncipe

Persistem na sociedade da Região Autónoma do Príncipe várias perguntas que “não se calam”, sobretudo em relação ao futuro do investimento do grupo HBD na ilha, após o anúncio público da retirada do seu proprietário, Mark Shuttleworth. Face a estas inquietações, o Presidente do Governo Regional do Príncipe, Filipe Nascimento, veio a público esclarecer o ponto de situação e responder a outras preocupações estruturais da população.


Segundo o governante, apesar das incertezas, existem indicadores concretos no terreno que apontam para a continuidade de importantes projetos. Filipe Nascimento destacou, por exemplo, que as obras de reabilitação do emblemático hotel Belo Monte continuam em curso, devendo o espaço ser reaberto ao público dentro de poucos meses.


“Há indicadores muito interessantes e não negativos. Continua em curso a obra de reabilitação do Belo Monte, que deverá ser reaberto ao público dentro de poucos meses”, afirmou.



O Presidente do Governo Regional referiu ainda a extensão das obras no hotel Sundy Roça, sublinhando que os antigos espaços das casas sanzala, após a saída da população que ali residia, terão agora uma nova finalidade turística e cultural. No âmbito do projeto FAIA, anunciou também a chegada iminente de mais de mil carteiras escolares à ilha, um compromisso assumido há algum tempo. Apesar destes sinais, Filipe Nascimento evitou antecipar conclusões sobre o desfecho das negociações com o grupo HBD.


“Não faz parte do nosso perfil de governação antecipar decisões, mas há indicadores, face ao trabalho que estamos a desenvolver, que nos levam a manter o foco e o empenho, para no momento oportuno apresentarmos os resultados finais das negociações, sempre com a participação das forças vivas da sociedade”, garantiu.


Outro tema sensível abordado foi o elevado custo da areia para a construção civil, atualmente fixado em cerca de 4.300 dobras por metro cúbico, preço praticado por um operador privado no mercado local. O Governo Regional reconhece o impacto deste valor no setor e anunciou que está a trabalhar numa alternativa.


“Estamos a trabalhar num plano de importação de areia. Ainda estamos a avaliar os custos, possivelmente em parceria com privados, mas os primeiros sinais indicam que poderá ser uma solução mais acessível”, explicou o Presidente.



No centro da cidade de Santo António, a situação dos Passos do Conselho, edifício histórico em avançado estado de degradação, também continua a gerar preocupação. As obras de reabilitação estão paradas, apesar de estarem tecnicamente prontas para arrancar. De acordo com Filipe Nascimento, o principal obstáculo tem sido a falta de disponibilidade financeira.


“Tudo estava pronto para o arranque. O que faltou foi a disponibilidade financeira. Houve necessidade de uma carta de conforto para recorrer a crédito bancário, mas há um conjunto de aspetos que têm limitado a disponibilização das verbas”, esclareceu.


O governante acrescentou que o Governo Regional continua em contacto com as autoridades nacionais e está a procurar outros mecanismos de financiamento, alertando para as consequências do impasse.


 “Por um lado, temos a degradação contínua dos Passos do Conselho e, por outro, os elevados custos com rendas de edifícios privados para albergar os serviços públicos da região”, lamentou.



As declarações de Filipe Nascimento surgem num contexto de forte expectativa da população do Príncipe, que aguarda respostas concretas e soluções duradouras para os desafios económicos, sociais e patrimoniais da ilha.


Jornalista: Alexander Martins 

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