O antigo primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Patrice Trovoada, reagiu à decisão da Procuradoria-Geral da República de instaurar um processo-crime por alegada ofensa à honra do Presidente da República, Carlos Vila Nova.
Em declarações à RTP África, Trovoada rejeitou as acusações e sustentou que a sua intervenção pública ocorreu em resposta ao que considera ter sido uma utilização indevida da sua imagem durante a campanha eleitoral.
Patrice Trovoada
"Não há direitos na sequência da prática de um ilícito."
Segundo o antigo chefe do Governo, declarações feitas por si em 2021 terão sido utilizadas fora do contexto na reta final da campanha presidencial, com o objetivo de induzir os eleitores em erro.
SONORA – Patrice Trovoada
"Utilizou a minha imagem e as minhas declarações de 2021 fora completamente do contexto, com o intuito de enganar os eleitores."
Trovoada defendeu ainda que a crítica política faz parte da atividade democrática e afirmou que continuará a pronunciar-se sobre os atos do Presidente da República, sempre que os considere merecedores de censura.
Patrice Trovoada
"Vou continuar a qualificar os atos, seja do Presidente da República ou de Carlos Vila Nova."
O líder político classificou ainda a abertura do processo como uma medida de intimidação, alegando que ocorre num momento em que o país se prepara para novas eleições.
Patrice Trovoada
"Isso tudo é uma manobra intimidatória."
A Procuradoria-Geral da República anunciou, na quinta-feira, a abertura do processo-crime, alegando a existência de indícios da prática do crime de ofensa à honra do Presidente da República. O processo encontra-se em fase de investigação, não sendo ainda conhecidas eventuais medidas subsequentes.
A reação de Patrice Trovoada foi divulgada em entrevista à RTP África, um dia após o comunicado emitido pelo Ministério Público.