Quase trinta jornalistas, com idades entre os 18 e os 64 anos, concluíram duas semanas de formação em jornalismo televisivo, em São Tomé e Príncipe.

A iniciativa integrou o projeto + Igual, dedicado ao combate à violência de género e doméstica, e contou com a participação do CENJOR, Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas.

Paula Medina Delegação da UNE
A formação combinou exercícios práticos de televisão com reflexão sobre a responsabilidade dos profissionais da comunicação social na abordagem da violência baseada no género.
“Quando estamos a falar deste tipo de violência, temos de ter um cuidado acrescido para não violentar novamente as vítimas.” Sandra Antunes Formadora

Durante as sessões, os participantes trabalharam técnicas de reportagem, apresentação diante das câmaras, realização de diretos e utilização de imagens e linguagem jornalística. A formação promoveu também a partilha de experiências entre profissionais com diferentes níveis de experiência e pessoas interessadas em ingressar na área.
Na sessão de encerramento, representantes das entidades envolvidas destacaram a importância de uma cobertura que respeite a dignidade das vítimas, preserve a sua identidade quando necessário e evite abordagens sensacionalistas ou que atribuam às vítimas a responsabilidade pela violência sofrida.

O Centro de Aconselhamento contra a Violência Doméstica manifestou disponibilidade para colaborar com os órgãos de comunicação social, através do fornecimento de dados, informações sobre o enquadramento legal e outros elementos que contribuam para reportagens fundamentadas.
“A qualidade do jornalismo sobre a VBG depende, em parte, da qualidade das fontes e queremos ser uma delas.”
Sónia Afonso Diretora do CACVD

O projeto Mais Igual, financiado pela União Europeia e implementado pela Cooperação Portuguesa, procura reforçar o contributo da comunicação social na prevenção da violência baseada no género. Segundo os intervenientes, a informação rigorosa e contextualizada pode ajudar a esclarecer direitos, divulgar serviços de apoio e questionar estereótipos sociais.

Em representação dos participantes, um dos formandos considerou que a iniciativa permitiu aprofundar conhecimentos técnicos e reforçar a consciência sobre o impacto das notícias na vida das pessoas envolvidas.
“Informar sobre este tipo de violência exige muito mais do que relatar acontecimentos. Exige respeito pela dignidade das vítimas, cuidado com a linguagem utilizada e proteção da identidade quando necessário.”

Com o encerramento do segundo módulo de televisão, está ainda previsto um módulo de formação em rádio.

Os organizadores esperam que as competências adquiridas sejam aplicadas nas redações das instituições de comunicação social público e privadas, contribuindo para uma prática jornalística mais rigorosa, ética e responsável.