Promover uma pesca mais responsável e proteger os recursos marinhos são os principais objetivos do projeto Oceano Sustentável, que está a testar métodos alternativos de captura de pescado em São Tomé e Príncipe.
A iniciativa procura reduzir a captura de peixes de pequeno porte, sobretudo antes de atingirem a maturidade reprodutiva, e avaliar técnicas que permitam capturar exemplares de maior dimensão e valor comercial.

O projeto é desenvolvido através de um consórcio que envolve as organizações OIKOS, MARAPA e o Programa TATÔ, com financiamento do FISFOR-ACP, uma iniciativa gerida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO.
OLAVIO ANÍBAL, COORDENADOR NACIONAL DO PROJETO
“Estamos a tentar estudar que mecanismos podem ser utilizados para evitar a captura de peixes muito pequenos, que ainda não se reproduziram, e encontrar metodologias que permitam capturar peixes maiores, com maior valor comercial.”
A experiência envolveu pescadores da comunidade de Paiagamboa, que participaram em várias saídas ao mar para testar técnicas como a pesca à linha, com cana e com anzol, incluindo diferentes modalidades de palangre.
Durante os testes, foram recolhidos dados sobre as capturas, através da medição e pesagem dos peixes, para avaliar a viabilidade destas alternativas.
O trabalho incluiu ainda a utilização de uma sonda eletrónica, conhecida como fish finder, equipamento que permite identificar zonas com presença de peixe e apoiar a decisão sobre os locais de pesca.
SILVESTRE DUARTE, PRESIDENTE DA ONG MARAPA
“Não é para substituir a rede, mas sim para ter alternativas de pesca que talvez sejam mais rentáveis. A pesca à linha permite capturar peixes de maior valor, dependendo do anzol utilizado e da zona onde se pesca.”
Paralelamente, foram realizadas oficinas comunitárias em várias localidades, com o objetivo de sensibilizar os pescadores para práticas mais sustentáveis. Estas ações permitiram também a elaboração de um manual de pesca responsável, destinado a apoiar o trabalho de sensibilização junto das comunidades piscatórias.
O projeto começou em 2025 e incluiu várias rondas de encontros comunitários, intercâmbios e testes no mar ao longo de seis meses.
ANTUNES DE PINA, PROGRAMA TATÔ
“Conseguimos recolher dados para depois determinar se esta modalidade de pesca é viável ou não. Hoje, apresentamos os resultados para que as comunidades possam conhecer a experiência e avaliar as suas possibilidades.”
A iniciativa pretende contribuir para a conservação dos recursos marinhos e para a sustentabilidade económica da atividade piscatória. A preservação dos peixes até à idade reprodutiva é considerada fundamental para garantir a renovação das espécies e a disponibilidade de pescado para as gerações futuras.
A viabilidade económica das técnicas testadas e a possibilidade de serem adotadas por mais pescadores dependerão dos resultados da experiência e da sua aplicação prática nas comunidades.