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Feira da Independência de São Tomé e Príncipe revela desafios nos preços de produtos agrícolas

A feira do Mais Alimento, realizada no âmbito das comemorações do 12 de Julho, trouxe ao público produtos agrícolas, transformados nacionais e oportunidades de venda direta entre produtores e consumidores. Mas entre os visitantes, uma preocupação foi comum: os preços de alguns produtos continuam elevados.


 CONSUMIDOR


“O tomate está a cento e trinta dobras o quilo. Eu costumo comprar no mercado a cento e vinte, cento e trinta. Como é feira, os preços estão iguais, não há diferença”


Para alguns consumidores, o Ministério da Agricultura deve criar medidas para garantir maior estabilidade dos preços e apoiar os produtores.



“O Ministério da Agricultura deveria fazer uma política de estabilização dos preços dos produtos. Também é preciso melhorar o sistema de irrigação para facilitar a vida dos agricultores.”


Os vendedores também sentem os efeitos da redução da oferta no mercado. Inácio Quaresma, que participou da feira com produtos como aguardente de cana, açafrão, baunilha e pimenta, considera a iniciativa positiva, mas reconhece as dificuldades atuais.


“A feira está um bocado fraca ainda, porque a população está sempre a viajar. Mas normalmente as pessoas começam a vir mais tarde. O tomate está um pouco caro porque não há. Dizem que não tem, porque muitos agricultores estão a abandonar.” Inácio Quaresma  Vendedor



Entre os participantes está também a produtora Eldevira Guadalupe, responsável pela empresa Tesouro de Conservas, que aposta na transformação de produtos agrícolas nacionais.


Transformamos frutas e hortícolas. Temos conservas de tomate, feijão verde, pimentão, pepino, picles, jaca em calda e cajá-manga. São produtos nacionais, de qualidade e com sabor autêntico.

São Tomé e Príncipe precisa apostar mais na agroindústria. Temos grandes excedentes agrícolas e é necessário transformar os produtos em maior escala, promover a produção nacional, a comercialização e também pensar na exportação.” Elvira Guadalupe / Empreendedora


O presidente da Plataforma dos Agricultores explica que a subida dos preços do tomate e do pimentão está relacionada com alterações climáticas que afetaram a produção.


Nelson Monteiro / Presidente da Plataforma dos Agricultores


“Isso é devido à questão das mudanças climáticas. A produção baixou porque as florações não agarram com a mesma frequência e potência. Quando há pouca produção e muita procura, os preços aumentam.”


Para enfrentar este cenário, o Ministério da Agricultura aposta em novas soluções, incluindo a instalação de estufas para proteger as culturas.

“Temos uma gravana bastante atípica, com muita chuva, e isso fez com que a capacidade de produção baixasse. Estamos a implementar estufas em várias zonas do país para combater essa variação de produção.”


Durante a visita à feira, o Primeiro-Ministro reconheceu a importância da iniciativa, mas admitiu que ainda é necessário fazer mais para garantir produtos a preços acessíveis.


Américo Ramos /  Primeiro Ministro

“É preciso fazer um pouco mais pela agricultura. Os preços ainda estão um bocado altos para a época. É necessário trabalhar para que a população consiga aceder aos produtos a um preço mais baixo.”


A feira reuniu dezenas de produtores de diferentes distritos e foi considerada pelos organizadores uma oportunidade para aproximar agricultores e consumidores.


“Tivemos cerca de cinquenta a setenta produtores de todos os distritos do país. A população aderiu à feira, que é também um espaço de convivência, venda, compra e interação.” Wanderley Diretor da Agricultura




O primeiro-ministro referiu ainda que fatores climáticos contribuíram para a subida dos preços de alguns produtos, como o tomate e o pimentão, que têm impacto na inflação interna.


“Apesar da justificação devido às mudanças climáticas e às chuvas registadas durante o mês de junho, o preço do pimentão e do tomate continua bastante alto. Esperamos que nos próximos dias haja uma mudança, porque estes produtos contribuem para a alta da inflação interna.” 

Américo Ramos /  Primeiro Ministro




Entre os desafios apresentados durante a feira estão o combate aos efeitos das mudanças climáticas, o reforço da produção agrícola e o desenvolvimento da agroindústria nacional. Para produtores e autoridades, estes são caminhos fundamentais para garantir maior segurança alimentar e melhores preços no mercado.