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São Tomé e Príncipe define prioridades para adaptação às mudanças climáticas

São Tomé e Príncipe iniciou a fase de definição das prioridades nacionais para adaptação às mudanças climáticas. O processo decorre num workshop que pretende transformar os estudos sobre riscos e vulnerabilidades climáticas em medidas concretas para o país.



A iniciativa envolve representantes de diferentes setores e deverá contribuir para a elaboração do Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas, previsto para integrar medidas para o período 2027-2030.


Durante a abertura, foi destacada a necessidade de deixar de encarar a adaptação climática apenas como uma questão ambiental e passar a integrá-la no planeamento nacional, nos investimentos públicos e no Orçamento Geral do Estado.

 Representante na  abertura do  Workshop

“Precisamos de evoluir na lógica de perguntar se o projeto é resiliente ao clima para a lógica de que a resiliência climática constitui o elemento da própria conceção do projeto.”


A vulnerabilidade de São Tomé e Príncipe está associada, entre outros fatores, à dimensão do território e à dependência de setores diretamente expostos às condições climáticas. Entre os impactos já identificados estão a erosão costeira, subida do nível do mar, chuvas intensas, inundações e períodos de seca.


O coordenador do projeto NAPO, Vítor Bonfim, explica que os modelos climáticos utilizados apontam para um agravamento de alguns desses fenómenos.

 Vítor Bonfim: Coordenador do projeto NAPO

“São Tomé e Príncipe é muito vulnerável ao aumento do calor. A temperatura vai aumentar de forma significativa e haverá cada vez mais fenómenos de ondas de calor, mais frequentes e mais intensas.”


Entre as medidas em análise estão o aumento da vegetação nas zonas urbanas e melhorias na construção de habitações para reduzir o impacto do calor. Para responder às inundações, são apontadas soluções como valas de drenagem e medidas de prevenção de deslizamentos de terras. Nas zonas costeiras, estão em avaliação diques e sistemas de quebra-ondas.


Na agricultura, o plano poderá incluir infraestruturas para garantir disponibilidade de água durante os períodos de seca e medidas de adaptação às novas condições climáticas. A área da saúde também deverá ser considerada, devido aos possíveis efeitos do aumento das temperaturas.


Nesta fase, serão selecionadas as medidas consideradas prioritárias. Segundo Vítor Bonfim, poderão ser identificadas cerca de 40 a 50 medidas, o que exigirá a mobilização de diferentes fontes de financiamento.

 Vítor Bonfim: Coordenador do projeto NAPO

“Depois nós vamos elaborar o documento NAP e organizar um workshop de engajamento de financiamento, para definir os potenciais financiadores para cada uma das medidas que serão adotadas.”


Entre os mecanismos de financiamento identificados estão o Fundo Verde para o Clima, o Fundo de Adaptação e o Fundo Global para o Ambiente, além de potenciais financiadores bilaterais.


O objetivo é que o Plano Nacional de Adaptação deixe de ser apenas um documento estratégico e passe a orientar investimentos, mobilizar recursos e integrar a resiliência climática nas políticas de desenvolvimento de São Tomé e Príncipe.