Os trabalhadores da cozinha do Hospital Central de São Tomé e Príncipe estão em greve para exigir o cumprimento de um acordo salarial firmado com o Governo em agosto de 2025.
Segundo os representantes dos trabalhadores, o entendimento previa um aumento dos salários a partir de janeiro de 2026, mas a medida ainda não foi aplicada.

Bruno Andrade, presidente do Sindicato dos Funcionários da Cozinha do Hospital Central, esclarece que a paralisação não resulta da falta de pagamento dos salários, mas do incumprimento do acordo sobre a atualização salarial.

Bruno Andrade: Presidente do Sindicato dos Funcionários da cozinha do Hospital Central
“Em agosto de 2025, firmámos um contrato com o Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho para aumentar o salário dos funcionários, porque era muito baixo. O aumento deveria começar em janeiro de 2026, mas o acordo não foi concretizado.”
Os trabalhadores dizem ter realizado várias reuniões com responsáveis governamentais, sem que a situação tenha sido resolvida. Segundo Bruno Andrade, numa reunião realizada ontem, os ministros terão indicado que o pagamento só poderia avançar até ao dia 11.
Os trabalhadores consideram o prazo demasiado longo, alegando que aguardam pela aplicação do acordo desde janeiro.

Ivete da Silva: Representante do Sindicato da cozinha do Hospital Central
“Estamos a manter a greve porque queremos o nosso dinheiro. Já assinaram os documentos e disseram que o aumento vai sair, mas pediram para esperar até ao dia 11.”
Além do aumento salarial, os trabalhadores reclamam a falta de subsídio de férias. Ivete da Silva afirma que continuam a receber os mesmos salários desde o início do ano.
Na cozinha, os trabalhadores dizem enfrentar condições de trabalho difíceis e apelam ao Governo para encontrar uma solução.

Cesaltina dos Santos: Trabalhadora
“Nós estamos atrás do nosso dinheiro há muito tempo. Já fizemos muitas reuniões e nada se resolve. Trabalhamos com calor e riscos, mas continuamos a receber salários muito baixos. Queremos apenas o nosso dinheiro.”
Apesar da greve, os trabalhadores afirmam que continuam a assegurar, por enquanto, a preparação do pequeno-almoço e da sopa para os doentes. Alertam, no entanto, que poderão reduzir os serviços caso a situação não seja resolvida.
A greve mantém-se, assim, como forma de pressão para que o acordo salarial firmado em agosto de 2025 seja aplicado e os trabalhadores recebam a atualização prevista.