
O Ministério da Saúde, através do Centro Nacional de Doenças, realizou esta semana um encontro de validação do novo plano estratégico nacional para o combate ao VIH/Sida, tuberculose e hepatites virais, que deverá vigorar entre 2026 e 2030.
O processo reúne técnicos nacionais e parceiros internacionais de saúde, com destaque para a Organização Mundial da Saúde, numa altura em que o país procura alinhar as suas metas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e acelerar a eliminação destas doenças até ao final da década.
O consultor internacional em saúde pública, VIH, tuberculose e doenças infecciosas, Dr. Barry Jacket, explicou que a sua missão em São Tomé e Príncipe consiste em apoiar tecnicamente a equipa nacional na elaboração do novo plano estratégico.
Segundo o especialista, o país dispõe de uma equipa técnica comprometida e disponível para o trabalho conjunto.
“O objetivo da minha visita é apoiar essa equipa no desenvolvimento de um plano de eliminação dessas doenças. Aqui em São Tomé existe uma equipa muito boa e disponível para trabalhar.”

O consultor sublinhou ainda que o plano estratégico terá duração de cinco anos, entre 2026 e 2030, e pretende reforçar ações de prevenção, diagnóstico e tratamento.
Já o diretor do Centro Nacional de Doenças, Bonifácio Souza, afirmou que a revisão do plano tornou-se necessária após uma avaliação intermédia do documento anterior, inicialmente previsto para o período 2023-2027.
De acordo com o responsável, o processo permitiu identificar forças, fragilidades e novos desafios ligados ao combate às doenças infecciosas no país.
“Foi necessário rever o plano estratégico para que possamos organizar melhor as atividades dos próximos anos e responder às exigências do Fundo Global.”

Bonifácio Souza explicou ainda que a validação do novo plano é uma condição essencial para que São Tomé e Príncipe possa submeter novos projetos de financiamento ao Fundo Global, principal parceiro financeiro no combate ao VIH, tuberculose e hepatites.
Os dados epidemiológicos apresentados durante o encontro mostram avanços significativos sobretudo no combate ao VIH/Sida, embora persistam desafios ligados ao chamado “terceiro noventa e cinco”, meta definida pela Organização Mundial da Saúde referente à supressão da carga viral dos pacientes em tratamento.
“Estamos bem no diagnóstico e no acesso ao tratamento. O nosso maior desafio continua a ser garantir a supressão da carga viral e o sucesso terapêutico dos doentes.”
O diretor do Centro Nacional de Doenças alertou ainda para o impacto da redução do financiamento internacional, após cortes efetuados pelos Estados Unidos ao Fundo Global.
Segundo Bonifácio Souza, São Tomé e Príncipe poderá perder cerca de quatro milhões de euros no próximo ciclo de financiamento destinado ao combate das três doenças.
“É uma redução significativa que poderá afetar várias atividades consideradas fundamentais para alcançarmos a meta de eliminação até 2030.”
Apesar dos constrangimentos financeiros, as autoridades sanitárias acreditam que o país continua no caminho certo para atingir os objetivos internacionais de saúde pública, contando com o apoio de parceiros como a Organização Mundial da Saúde, UNICEF e Fundo Global.