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Crioulo forro em destaque: oficina une gerações e reforça a luta pela preservação da identidade São-tomense

Preservar a língua é também preservar a história, a cultura e a identidade de um povo. Em São Tomé e Príncipe, uma oficina de Língua Crioulo Forro chega ao fim após dois meses de aprendizagem, partilha de experiências e valorização das tradições locais.



A iniciativa reuniu participantes de diferentes idades e nacionalidades, num ambiente em que a fala, a escrita e os versos tradicionais serviram de instrumentos para aproximar gerações e reforçar o valor da língua materna.



“Eu gostei muito dessa oportunidade que nos deram, porque com essa nossa Língua Crioulo ajuda-nos. (...) Eu fico quase à espera que chegue o sábado, para vir, me divertir, aprender. Eu gostei.” Graciana Bonfim - Participante


Já reformada, Graciana encontrou na formação não apenas uma oportunidade de aprendizagem, mas também um espaço de convívio e ocupação. Durante as aulas, aprendeu novas expressões e versos, aprofundando o conhecimento da língua e das suas particularidades.



A participante destaca igualmente a metodologia do formador, que incentivava os alunos a falar, escrever e participar ativamente nas atividades.


“É muito importante, porque não é só o professor a falar, a escrever, a falar, a escrever, não. O professor também tem que ajudar o aluno. (...) Sosawa, por acaso, eu gostei. Bom professor, valeu.” Graciana Bonfim - Participante


Para além da aprendizagem individual, a oficina promoveu o encontro entre jovens e pessoas mais velhas, demonstrando que a transmissão do património linguístico pode acontecer através do diálogo e da partilha de conhecimentos.



“A experiência tem sido boa. Cá, durante a formação, eu aprendi vários versos. Até alguns que já sabia, não tinha noção de como poderia encaixar no nosso dia-a-dia.” Lauríquison Afonso  Participante

Lauríquison considera que iniciativas desta natureza merecem reconhecimento, sobretudo pela oportunidade de reunir diferentes gerações em torno de um património comum.

“Acho a iniciativa bastante boa, porque na nossa sociedade é difícil ver iniciativas como essa. (...) Nós aqui não nos medimos pela idade. Ou seja, estamos todos unidos como irmãos são-tomenses que somos.” Lauríquison Afonso  Participante


Do lado da formação, o balanço também é positivo. Para o professor Álvaro Lima Vaz, conhecido como Mestre Sawa, o principal objetivo foi sensibilizar a população para a importância de reconhecer, valorizar e preservar o Crioulo Forro.


“A mensagem que eu tenho passado é fazer o povo saber que nós temos uma língua, a língua-mãe, a língua Crioulo Forro, chamada são-tomé. (...) É uma cultura, é uma riqueza que nós temos.” Mestre Zawa – Formador



O formador alerta ainda para a necessidade de garantir a continuidade deste património, defendendo que a preservação da língua depende do envolvimento das comunidades e da sua transmissão às novas gerações. A iniciativa contou com o apoio do projeto Mosaico, cuja contribuição foi reconhecida pelo formador, que manifestou esperança de que novas edições possam vir a acontecer.


Mais do que uma formação, a oficina deixa o desafio de manter viva uma língua que transporta memórias, conhecimentos e tradições de São Tomé e Príncipe. Entre palavras, versos e diferentes gerações, fica a mensagem de que preservar o Crioulo Forro é valorizar a identidade são-tomense e garantir que este património continue a ser aprendido, falado e transmitido no futuro.