A banana é um dos produtos agrícolas mais conhecidos de São Tomé e Príncipe. Mas os promotores de uma exposição dedicada a este fruto defendem que o seu potencial vai muito além do consumo alimentar.
A iniciativa reuniu diferentes produtos e ideias desenvolvidas a partir da banana, com o objetivo de chamar a atenção para as possibilidades económicas, culturais, científicas e turísticas associadas a este recurso.
Na abertura da feira, a organização alertou também para uma realidade considerada preocupante: apesar da imagem de abundância, a banana estará a tornar-se cada vez mais escassa no mercado nacional.

Jourceli dos Ramos - Responsável da organização
“É preciso que as pessoas conheçam e reconheçam que a banana é diversificada. Pode ser consumida e aplicada em vários momentos da vida, até na produção de energia.”
Entre os expositores esteve Deise, professora e artesã, que há cerca de 18 anos trabalha com fibras e cordas de bananeira.
Os seus trabalhos incluem quadros inspirados na cultura e nas aldeias santomenses, além de bases para pratos e porta-guardanapos.
A artesã acredita que o aproveitamento destes materiais pode representar uma oportunidade de rendimento para muitas famílias.
Deise- Professora e Artesã
“Eu trabalho com cordas de bananeira. Podemos aproveitar a bananeira de várias maneiras, desde a alimentação até aos produtos de ornamentação. A arte também pode ser um ponto de saída e uma forma de gerar rendimento.”
A feira contou igualmente com a presença de agricultores. Natália, da comunidade de Santa Adelaide, trabalha na agricultura há cerca de 20 anos e levou os seus produtos para a exposição.
A produtora aponta vários obstáculos enfrentados no dia a dia, desde as dificuldades de acesso às zonas agrícolas até aos furtos e aos prejuízos causados por animais soltos.
Natália- Agricultora
“Com chuva ou sol temos de trabalhar. Os maiores desafios são também os ladrões, os animais soltos e as dificuldades que encontramos pelo caminho.”
A degradação das estradas é outro dos problemas apontados pela agricultora. Segundo Natália, o transporte da produção representa um custo adicional para quem vive e trabalha em comunidades mais afastadas.
“Se tivermos de sair sem transporte, temos muitas dificuldades. A estrada é péssima e isso torna mais difícil trazer os produtos para vender.”
A exposição pretende, assim, abrir espaço para o debate sobre a valorização da banana e incentivar novas formas de aproveitamento deste recurso.

Além da vertente comercial e empreendedora, está previsto um momento científico dedicado ao estudo e à dinamização da produção da banana em São Tomé e Príncipe.